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Técnica em áudio ajuda a curar o vínculo afetivo e liberar o amor interrompido

 

Por Alice Duarte
*Artigo originalmente publicado no site Personare

Recentemente, em um de meus grupos terapêuticos, três clientes com idades bastante diferentes vieram com problemas iguais: “descobri recentemente que meu pai, aquele me criou e com quem convivi a vida inteira, não é o meu pai biológico”. Nesses casos, após o choque inicial da notícia, geralmente há uma recusa em aceitar e reconhecer o “novo” pai ou uma revolta em relação à mãe.

Quando há ocultação da identidade do pai – por exemplo, em casos de filhos extraconjugais, adoção ou quando a mãe se relacionou sexualmente com mais de um parceiro e não certeza quem é o pai de seu filho – a questão mais grave é a violação do direito de pertencimento. Essa é uma lei sistêmica que garante a ordem e o equilíbrio dentro das famílias, segundo os estudos do pensador alemão Bert Hellinger, o pai da Constelação Familiar – técnica terapêutica de cura emocional e solução de conflitos nos relacionamentos. Essa lei invisível que atua em todos os agrupamentos humanos – e com ainda mais força nos clãs familiares – diz que todos os seus membros têm o direito de pertencer e possuem um lugar que só cabe a eles ocuparem no sistema.

EXCLUIR PAI DA SUA VIDA É PERIGOSO

Há uma ideia disseminada na nossa sociedade de que pai é aquele quem cria. Nessa crença está embutida uma perigosa exclusão. Afinal, qual é a condição para que um homem se torne pai? Do ponto de vista da existência, basta que apenas conceba uma vida. O lugar e a função de um pai no sistema familiar, portanto, ninguém pode substituir ou lhe negar.

Quando excluímos alguém de nossa alma e consciência, seja porque o tememos, o condenamos ou o esquecemos, há terríveis consequências. A consciência coletiva do sistema familiar gera em nós uma pressão por compensação ou expiação, muitas vezes fazendo com que um membro de uma geração seguinte represente o membro excluído, repetindo o seu destino para que os outros, de alguma forma, o olhem. Um neto, por exemplo, pode imitar, por identificação inconsciente, um avô excluído por ter tido um filho extraconjugal. Assim, passa a viver, sentir-se e fracassar como seu avô, sem estar consciente dessa conexão.

Quando excluímos alguém de nossa alma e consciência, seja porque o tememos, o condenamos ou o esquecemos, há terríveis consequências.

APRENDER A ACEITAR SEU PAI É CONDIÇÃO PARA TER VIDA MELHOR

Como alguém pode saber quem é e para onde vai se desconhece o seu passado? Suas raízes? Os filhos são os seus pais, uma mistura perfeitamente equilibrada de 50% do DNA do pai e 50% do DNA da mãe. Ao dar a vida aos filhos, os pais nada podem acrescentar e nada podem excluir dela. Da mesma forma, os filhos, quando tomam a vida dos pais, também não podem acrescentar-lhe nada, nem recusar algo dela.

É muito difícil alguém ter êxito na vida se não tomou plenamente um dos pais, se os rejeita ou despreza. A pessoa pode até ter sucesso por um tempo, porque usa a raiva para agir, mas isso não se sustenta no longo prazo. Na visão sistêmica das Constelações Familiares, tomar pai e mãe, ou seja, honrá-los e aceitá-los como são e como puderam ser, é a condição para se poder tomar a vida que veio deles. Esse ato de tomar é um ato de humildade. Representa um sim à vida e ao destino.

Quem rejeita o pai, por exemplo, rejeita a si mesmo e sente-se vazio, sem realização, sem propósito de vida. A maneira como nos relacionamos com ele, hoje e no passado, vai se refletir mais tarde na maneira como nos relacionamos com a nossa profissão, com figuras de autoridade, com os nossos parceiros (no caso das mulheres) e em como nos sentimos inseridos no mundo. A pessoa que não tomou o pai pode, muitas vezes, ter várias profissões e não se fixar em nenhuma, ou mesmo não ter profissão alguma. E quando a mãe não só oculta a identidade do pai, mas também impede o filho de ter acesso a ele por raiva ou mágoa, esse filho pode, mais tarde, como adulto, querer fugir da realidade, seja pelo consumo de drogas ou pela devoção cega a uma seita ou religião, por exemplo. É uma forma desesperada de preencher um vazio interno, uma busca secreta do pai não tomado.

No caso dos meus clientes que tiveram a identidade do pai ocultada, a solução foi configurar seus sistemas familiares num espaço físico, utilizando a Constelação Familiar para criar uma espécie de geometria das relações. Para cada um deles, foi escolhida uma pessoa para representar o pai biológico, outra para representar a mãe e outra para representar o cliente (filho). De início, a imagem da exclusão logo vem à tona, quando os representantes do filho e da mãe viram-se de costas para o representante do pai. A partir disso, o cliente, assistindo a tudo de fora, pode escolher olhar para esse pai e reinseri-lo no sistema, chamando-o de pai e acolhendo-o em seu coração. Aquela situação que antes causava desconforto, medo e rejeição, pode, enfim, ser acolhida tal como é. O filho consegue finalmente ficar em paz consigo mesmo, sentindo-se inteiro e com mais força e entusiasmo para caminhar em direção à vida.

Quem rejeita o pai, por exemplo, rejeita a si mesmo e sente-se vazio, sem realização, sem propósito de vida.

ÁUDIO: CURANDO O VÍNCULO COM O PAI

Se você vivenciou alguma situação parecida, que gerou ausência ou exclusão de seu pai biológico, ou você está em conflito com seu progenitor, ouça o áudio abaixo. Ele contém um exercício sistêmico e fenomenológico que permite curar este vínculo e liberar o fluxo interrompido do amor (estando seu pai vivo ou não, tendo você conhecido ele ou não)…

Para ter acesso ao restante do conteúdo, leia o artigo completo no site do Personare.

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