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Seja por raiva, medo, vingança ou esquecimento, ausência causa desordem familiar

 

Por: Alice Duarte
*Artigo originalmente publicado no site Personare

Eu estava descendo as escadas de um prédio comercial após sair de uma consulta, quando observo à minha frente um menino de uns 4 anos tentando vencer os degraus que pareciam desafiar o tamanho de suas perninhas. “Devagar filho”, dizia calmamente o pai, que descia logo atrás do menino. Pensei: “se o pequeno tropeçar ali, nem o mais rápido reflexo impediria um tombo”. O pai continuou seguindo o menino: “filho, dá a mão para o pai”, mas o garoto preferiu ir sem apoio e, quando precisou se equilibrar, recorreu ao corrimão. E o pai deixou assim, observando-o atentamente.

Inicio este artigo narrando essa breve cena para ilustrar a importância do papel do pai no desenvolvimento dos filhos. Quando nasce, o bebê está em total simbiose com a mãe: ela é o seu “Deus” particular, onisciente, onipotente, onipresente, que provém o alimento e tudo mais que necessita. Ficar no âmbito da mãe nos primeiros anos de vida é fundamental para o desenvolvimento sadio de uma criança – o psicoterapeuta alemão Bert Hellinger chama essa fase de “primeiro movimento afetivo”.

Após completar um ano e meio, ou ao dar os primeiros passos, a criança começa a se desprender lentamente da fusão emocional com a mãe e iniciar a sua jornada rumo à própria autonomia. Nesse momento, é adequado que o pai atue como separador emocional, interrompendo essa fusão e liberando tanto a mãe quanto a criança.

PAI É ELO DE LIGAÇÃO COM MUNDO ADULTO

Segundo Hellinger, esse é o segundo movimento afetivo: quando a criança passa do âmbito da mãe para o âmbito do pai. Definitivamente, o pai é o elo de ligação da criança com o mundo exterior, o mundo adulto, no qual ela começa a estabelecer contato com a realidade ao seu redor e com a vida.

“A adaptação ao jardim de infância ou a qualquer situação nova se torna mais bem-sucedida quando é o pai quem acompanha o desprendimento”, diz a psicoterapeuta familiar Laura Gutman, no livro “A Maternidade e o encontro com a própria sombra” (Ed. Best Seller).

Voltando naquela cena das escadas, se no lugar do pai fosse a mãe a acompanhar aquela criança, provavelmente ela teria carregado o filho no colo, ou segurado sua mão – mesmo à sua revelia. É instinto de proteção da mãe manter a criança debaixo de suas asas, longe de qualquer perigo. Já o pai é aquele que deixa o filho “se jogar no mundo”: experimentar, brincar, se sujar, cair e levantar.

DESORDEM NAS FAMÍLIAS SURGE QUANDO PAI É EXCLUÍDO DA CONSCIÊNCIA E DO CORAÇÃO

Infelizmente, o que acontece hoje é que muitas crianças crescem sem a presença do pai, pelo fato de a mãe ter se separado dele e dos filhos permanecerem com ela. “A mãe tem uma tendência, por qualquer razão, de atrair os filhos pra si mesma, longe de seu pai. O que isso causa aos filhos? Aparta-os do mundo e, portanto, da vida. Somente através de nosso pai entramos em contato com o mundo”, diz Bert Hellinger em seus textos. A desordem nas famílias nasce quando se exclui o pai do convívio e do coração, seja por raiva, medo, vingança ou esquecimento. Este ser “não-olhado” cria uma força nociva no sistema familiar e, futuramente, paga-se um preço alto por essa exclusão.

Num passado nem tão distante assim, a sociedade delegava ao pai um papel de provedor e todos dependiam economicamente dele. Ele tinha que estar presente e sólido na vida real, pois somente dessa forma se garantia a sobrevivência das famílias. Porém, nas últimas décadas, com a autonomia e independência financeira das mulheres, acabaram os grandes obstáculos que as impediam de se separarem de seus maridos quando a relação deixava de funcionar.

Escritórios de advogados e consultórios de terapeutas ficaram cheios de demanda com divórcios, disputas por pensão alimentícia, guarda dos filhos e alienação parental. Virou rotina da Justiça decidir que a guarda dos filhos ficasse com a mãe. E, em muitos casos após a separação, a mãe acabava impedindo o acesso do pai ao filho, principalmente quando nutria raiva e mágoa do ex-parceiro, devido à traição, abandono ou qualquer outro motivo.

Existem outras tantas causas para uma exclusão: quando alguém teve um pai abusivo, quando nunca o conheceu ou quando este faleceu precocemente. Geralmente há muita mágoa, julgamento, rejeição, reivindicação ou esquecimento por parte dos filhos e ex-mulher.

Quando isso ocorre, a paz se rompe dentro das famílias. E quais as consequências dessa alienação e exclusão dos pais? Em alguns casos, os filhos podem se voltar contra a sua mãe, por lealdade ao pai, e repetir, futuramente, o destino do pai excluído, ou seja, não convivendo com os próprios filhos.

Há outras tantas consequências que observamos nas sessões de Constelação Familiar: esse filho, quando adulto, poderá ter dificuldades para manter um relacionamento afetivo satisfatório, para se encontrar profissionalmente, para se manter com os pés na realidade (daí a causa de muitos casos de drogadição), etc.

COMO É POSSÍVEL RESTAURAR A PAZ PERDIDA NAS FAMÍLIAS

O caminho para a paz vem com a inclusão desses pais, desses homens, respeitando e honrando o seu lugar de direito no sistema familiar a que pertencem, independentemente do que tenham feito ou deixado de fazer.

Para ter acesso ao restante do conteúdo, leia o artigo completo no site do Personare.

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