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Coisas inimagináveis podem estar por trás de um problema crônico de saúde: a dor de uma perda, a exclusão de alguém ou algo que você rejeita muito em sua vida

Por Alice Duarte

“A doença é sempre um portal, uma oportunidade de curar algo em nós. É uma chance para nossa alma despertar.” A frase, dita pelo psicólogo, constelador e escritor espanhol Joan Garriga durante um seminário sobre saúde em Florianópolis, no mês passado, me fez pensar no quanto temos uma dívida de gratidão com as nossas enfermidades. Pois elas sempre querem nos dizer algo importante. Sim, você já deve saber que o corpo fala, mas será que está conseguindo ouvir direito?

É encantadora a perspectiva de que a doença funciona como um carteiro, um portador de uma mensagem preciosa. Ele não sabe o conteúdo da carta, é somente a ponte entre o destinatário (você) e o remetente (àquele ou àquilo que a doença se conecta). Quem precisa abrir a carta, lê-la, interpretá-la e descobrir de onde ela veio somos nós.

Sabemos, por exemplo, que temos que beber pelo menos dois litros de água por dia, desembalar menos e descascar mais, pôr nosso corpo em constante movimento. E por que resistimos tanto a fazer tudo isso? O que nos impede e nos bloqueia?

Vivemos em uma sociedade que valoriza muito a mente, a racionalidade, e muitas vezes isso leva a uma completa desconexão de nossa estrutura física e nossas emoções. O corpo começa sussurrando que algo em nós não está funcionando bem, mas ignoramos a mensagem e seguimos em frente com o nossos péssimos hábitos, nossas crenças deturpadas e padrões viciosos de comportamento. Aí então ele começa a falar mais alto e, se continuamos desatentos, o corpo começa a berrar.

E se ainda assim vamos adiante com nossa resistência ou inconsciência ele irá se rebelar e pode até entrar em greve.  Quem sabe assim, paralisando parte das atividades, há uma negociação com o patrão (nosso sistema de comando central, o Eu racional e consciente) para atender às reivindicações dos operários (as mais de 1 trilhão de células que trabalham com amor e ordem pelo nosso sistema biológico).

“Vivemos em uma sociedade que valoriza muito a mente, a racionalidade, e muitas vezes isso leva a uma completa desconexão de nossa estrutura física e nossas emoções.”

Para melhorar a qualidade desse vínculo, todas as práticas que conectam corpo, mente e emoções, como yoga, tai chi chuan e meditação são bem-vindas. Mas não só isso. É preciso ir mais fundo nessa relação, pois há padrões inconscientes e nós que nos amarram ao passado, tanto de nossa história pessoal como na de membros de nosso sistema familiar, gerando sofrimento e, consequentemente, doenças.

 

O amor é antibiótico

O fator principal da boa saúde está ligado à boa relação com nossos pais. Sobre isso, Garriga contou sobre uma constelação que fez com uma cliente que enfrentava uma grave infecção na boca causada por uma bactéria muito resistente a antibióticos. Ele escolheu um representante para a cliente, outro para as bactérias, outro para os antibióticos e outro para a mãe – com quem a cliente tinha sérios conflitos.

No início, o representante das bactérias estava forte e muito agressivo, já o dos antibióticos estava fraco e sem ação. À medida que mãe e filha se aproximavam na constelação, o representante das bactérias se enfraquecia, enquanto o dos antibióticos se fortalecia. “Com isso”, disse, “descobri que as mães têm propriedades bactericidas [risos]”.

Não é fantástico o poder das mães? E também dos pais? Durante o seminário, várias constelações mostraram na prática como os problemas que aconteceram ou acontecem com nossos progenitores (seja especificamente com o pai, com a mãe ou com a relação entre os dois) têm reflexos na saúde dos filhos e netos. Por isso o melhor que um pai e uma mãe podem fazer pelos seus descendentes é cuidar de suas questões pessoais, se resolver e não deixar “contas a pagar” no futuro.

Os efeitos de uma exclusão

Muitas vezes a causa de uma enfermidade é uma exclusão: um filho abortado e não reconhecido, um ex-parceiro que ainda rechaçamos ou um irmão cuja morte não foi aceita. O mais difícil num sistema familiar é justamente integrar essas perdas e mortes. “É comum a doença ‘olhar’ para alguém que havíamos evitado”, disse Garriga. “Todos os problemas vêm do fato de que não suportamos a dor. Se tivéssemos uma relação melhor com a dor teríamos menos sofrimento. Fazemos muitas coisas para que não doa o que dói”, disse.

A doença pode estar ligada, portanto, ao fato de termos dito ‘não’ a algo que aconteceu no passado: “Essa criança não deveria ter morrido”, “Esse pai não deveria ter sido infiel à mãe” etc. Segundo Garriga, o desafio (e a solução) para todos é abraçar tudo aquilo que foi e a vida tal como é a cada momento. Pois quando não fazemos isso, o corpo trata de fazer através das enfermidades. Embora difíceis de assimilar, a inclusão do que é difícil e a rendição àquilo que é e àquilo que foi através do amor e de um movimento criativo podem ser feitas de forma muito breve com o auxílio da Constelação Sistêmica.

Veja aqui uma mentalização conduzida por Bert Hellinger para acolher uma doença.

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