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Como os homens, em geral, são vistos pelas mulheres da sua família? Com certa rivalidade, desprezo ou raiva? Esse panorama competitivo nos relacionamentos pode esconder uma dinâmica sistêmica cuja origem aponta para muitas gerações passadas

 

Por Alice Duarte

Aquele homem desabou, literalmente, no chão. Chorava uma dor secreta, que emergia de seu âmago. Um sofrimento que só pôde ser finalmente expressado quando todos ali presentes puderam tirá-lo – com a simplicidade e a força de seus olhares – do limbo da exclusão. O que se desenrolara ali naquela sessão Constelação Familiar era um pai, cuja filha foi entregue para adoção e que não era visto nem reconhecido pela família adotiva, pela filha e sequer pela mãe biológica e ex-parceira. Ele, que havia concebido aquela vida e com isso se tornado pai, pôde ali recuperar a sua dignidade e o seu devido lugar naquele sistema familiar. Mas não antes de ter tomado força junto aos homens anteriores: pai, tios, avôs, bisavôs… Junto aos seus, pode levantar-se do chão, respirar aliviado e sorrir.

“Homem não presta!” “Não são confiáveis!” “Marido não serve pra nada!” “Nunca dependa dos homens!” Quantas de nós crescemos ouvindo essas e outras crenças de nossas mães separadas, divorciadas, traídas ou abandonadas por seus maridos e que tiveram que carregar muitas vezes sozinhas o fardo do sustento e da educação de seus filhos? Se isso não aconteceu na sua família, provavelmente conheça muita gente por aí que não pôde conviver com a figura paterna, seja lá por qual motivo. Nos meus grupos terapêuticos vejo muitos casos assim, filhas e filhos criados por mães, tias e avós cheias de rancor e mágoa daquele progenitor. A causa dessa desordem, frequentemente, vem de muito longe.

Rejeição e culpa transferidas

Quando examinamos o destino das mulheres de gerações passadas de nossa família, com certeza vamos encontrar muitas outras que sofreram nas mãos dos homens, que foram subjugadas, humilhadas, desrespeitadas e por isso não puderam confiar neles. Muitos homens, ao olharem para trás, certamente vão encontrar outros homens de seu sistema que não puderam estar em paz com suas mulheres, que com sua soberba e autoritarismo não assumiram a culpa pelos danos causados a elas.

Herança maldita

Somos filhos do choque cultural entre a mente patriarcal e o movimento feminista, vivemos imersos nesse paradigma competitivo da luta pelo poder entre gêneros. Nesse levante pelo direito das mulheres, muitas delas na verdade brigam não apenas por si, mas em nome das mulheres que as precederam no seu sistema familiar, de gerações de mulheres que calaram essa raiva porque não tiveram o direito de expressá-la. Ao mesmo tempo, os homens de agora também são afetados pelo destino daqueles homens do passado e hoje carregam uma culpa que não lhes pertence. A isso, o filósofo, pedagogo e psicanalista alemão Bert Hellinger, criador da técnica da Constelação Familiar, chama de lealdade sistêmica. Movidos por um amor cego, carregamos, de forma inconsciente, o fardo de outras pessoas do nosso sistema familiar.

Somos filhos do choque cultural entre a mente patriarcal e o movimento feminista, vivemos imersos nesse paradigma competitivo da luta pelo poder entre gêneros.

Em sua recente visita ao Brasil este ano, Hellinger, hoje com 90 anos, chamou a atenção para o fato de que em muitas famílias brasileiras os homens não são honrados. Muitos inclusive são deliberadamente excluídos. O direito de ter seu lugar de pai no sistema é irrevogável, aconteça o que acontecer – sejam eles alcoólatras, infiéis, autoritários etc.

Devolvendo o lugar e a dignidade de cada um

Quando não se dá um bom lugar a eles há consequências danosas para todo o sistema familiar, principalmente para seus filhos, com reflexos na maneira como eles se posicionam diante da vida e, principalmente, diante de seus relacionamentos com o sexo oposto. O acesso dos filhos ao pai é sempre concedido pela mãe. Quando esta não o permite, ainda que de forma velada por ainda ter raiva e reivindicações em relação ao ex-companheiro, os filhos não conseguem tomar o pai e aceitar a vida que veio dele.

A solução está em reconhecer e respeitar o sofrimento e o destino difícil de mulheres e homens de gerações passadas. E a partir deste novo ponto de vista, mais atualizado, escolher fazer diferente, interrompendo esse ciclo de danos. Não seria incrível se cada um dentro de seus relacionamentos pudesse recuperar a dignidade e expressar o seu poder pessoal? Homens e mulheres precisam se alegrar em ver uns aos outros empoderados. Somente dessa forma poderiam viver juntos com confiança, cooperação e respeito.

 

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