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O uso desse método nas práticas de mediação e conciliação tem ajudado a resolver questões familiares que chegam à justiça, trazendo resultados rápidos e equilibrando relações

 

Por Alice Duarte
*Artigo originalmente publicado no jornal britânico Notícias em Português

Uma técnica terapêutica alemã está fazendo uma revolução silenciosa ao humanizar as práticas de mediação e conciliação no Judiciário brasileiro. Tribunais de pelo menos 11 Estados vêm utilizando com sucesso uma ciência chamada Constelação Familiar, dinâmica desenvolvida pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger. O juiz Sami Storch, da Bahia, quem primeiro introduziu essa técnica antes das sessões de mediação e conciliação, conseguiu impressionantes índices de acordos, que superam mais de 90%. Pelos excelentes resultados obtidos em sua comarca em Amargosa, Storch foi homenageado em 2015 no Prêmio Conciliar É Legal, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Hoje a prática está aprovada conforme Resolução CNJ n. 125/2010.

A Constelação possibilita resultados rápidos e eficientes ao revelar dinâmicas ocultas por trás dos conflitos e trazer soluções que causam alívio a todos os envolvidos. Ao configurar o sistema familiar numa sala ou mesa (com a ajuda de representantes, que podem ser tanto pessoas reais, como pequenos bonecos), é possível reconstruir a árvore genealógica dos envolvidos e criar uma espécie de “geometria das relações” entre os membros da família. A partir disso, são localizados e removidos os bloqueios no fluxo amoroso, ocorridos na geração atual ou nas anteriores.

O sistema judiciário acabou acolhendo a iniciativa pela capacidade em evitar demandas desnecessárias em quase todas as áreas do Direito, principalmente no Direito de Família e Sucessões, como, por exemplo, em conflitos que envolvem divórcio, guarda de filhos, regulamentação de visitas, pensão alimentícia, adoção, abandono e inventário.

Além de reduzir o número de ações judiciais, a prática também reduz a quantidade de recursos nos casos já tratados, permite manter os laços afetivos saudáveis dessas famílias e diminui consideravelmente a exposição de crianças e adolescentes ao sofrimento psicológico.

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O juiz Sami Storch aplicando a Constelação Familiar com bonecos em sessão de conciliação.

 

O juiz Sami Storch começou a estudar o assunto em 2004, quando teve seu primeiro contato com essa terapia. A aplicação do conhecimento da Constelação na magistratura começou de forma discreta, introduzindo meditações e exercícios sistêmicos com representantes durante as audiências nas ações judiciais da área de família. Depois ele começou a realizar experiências também nas áreas criminal e da infância e juventude. Em 2015, Storch apresentou os resultados obtidos para Bert Hellinger em um treinamento internacional de Constelação Familiar na Alemanha, impressionando o público europeu. Promotores, advogados e juízes em todo Brasil têm buscado capacitação para aplicar a técnica, com resultados igualmente positivos. “É uma nova solução para um novo tempo que estamos vivendo”, diz Sami Storch.

 

 

Alice Duarte

Jornalista há 16 anos, vem atuando desde 2014 como Facilitadora de Constelação Sistêmica Familiar e Empresarial. Oferece workshops, palestras, atendimentos em grupo e individual (presenciais e on-line). Email: contato@aliceduarte.com

 

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